Um pouco de melancolia, sim pouco. Ainda respiro oras! Ainda sei sentir de tudo, isso me engrandece. E por hora não pertenço àquela parcela de gente feliz que habita por sobre a tristeza, por sorte ou por circunstância, ou até por superioridade nos ganhos natos. Sim as pessoas felizes que comem todos os dias saladas e saladas de palavras bonitas, palavras ensaiadas e enfeitadas com sorrisos parafusados.
É blasfêmia brincar sobre a fome alheia à mesa de um belíssimo jantar é afrontoso, é vulgarismo. Em qualquer lugar, beirando o que ou quem quer que seja, é feio, é leviandade falar de dores de outrem quando quem a sente não fica argüindo sua crível felicidade. Enfim, não é cômodo estar triste, e que se fosse simples abandonar essa condição ninguém escolheria sentir-se assim.
Eu aprendo com a tristeza e cuspiria nesses dizeres de suposta generosidade e moldes de alegria que tantos parafusam por aí. E quer saber, ninguém está a salvo nesse universo aqui, sorrir de verdade, verdade da alma não é para qualquer um que se diz "feliz", não há subterfúgio nesse mundo que guarde qualquer ser vivo da tristeza, fato.
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