"E QUE AS PALAVRAS SEJAM CERTAS, E AS HORAS AS DESTAS."


quarta-feira, 20 de abril de 2011

À noite

*


A noite traz consigo as horas mais charmosas de um dia inteiro, ela tem cheiro próprio e poesia própria, a noite parece que respira. Ela muito me sugere a figura de uma dona elegante, porém franzina, ostentando belezas curiosas e seus atributos visíveis e intangíveis, há lascívia nela e força mas é singela, delicada. Não tem rosto ou figura, é como fuligem, vem mansa, exuberante, estreada com louvor pelo pôr-do-sol –  despedida trivial que vagarosamente abre espaço para a cortina estrelada, as vezes fosca presenteando com uma linda escuridão o universo das almas humanas, momentos antes há uma brincadeira de nuances ressaltando o céu em cores mornas, céu pastel, céu de baunilha, céu que mais tarde vai serenar sob os contornos terrestres, sob o sono dos repousados. Eu particularmente sempre tive um fascínio pela noite, uma atração. De noite o céu é maior, me sinto livre como se pudesse ser, como se eu pudesse ir a qualquer lugar, como se pudesse fazer qualquer coisa que desejasse, e desejo.

*